Tuesday, January 31, 2006

Cinerama



Década de 50. O cinema enfrenta a televisão oferecendo imagens e sons impensáveis num receptor de TV. Uma das armas mais poderosas foi o cinerama, sensação de 3D obtida pela abrangência do campo visual.

Baseando-se no princípio que a estereoscopia(visão bi-ocular) não seria determinante para a sensação de terceira dimensão a grandes distâncias, o cinerama criava a ilusão de profundidade através de imagens com 146 graus de largura e 55 graus de altura.



Na projeção eram utilizados três projetores simultaneamente, que, sincronizados, cobriam uma tela com curvatura até então não utilizada no cinema.




Uma marca sutil era perceptível no ponto de junção das imagens.



Em 1959 o cinerama chegaria a São Paulo, no Cine Comodoro, e naqueles anos de som analógico o equipamento da sala era considerado o melhor da cidade. A cortina vermelha abrindo lenta e solenemente criava uma expectativa que transformava a sessão de cinema em um verdadeiro espetáculo.


Abaixo você tem uma mostra de como era uma projeção em cinerama.

Einstein knows

Monday, January 30, 2006

Flashback

Se você foi criança nos anos 60 ou 70 vai gostar do site Memory Chips.

Muita coisa que você nem lembra que esqueceu.

Clique aqui para ver.

Abandono






Se você tiver a oportunidade de frequentar os pátios dos aeroportos brasileiros vai ver algo que só uma incompetência geral e escandalosamente obscena permite: as aeronaves das finadas VASP e TRANSBRASIL apodrecendo ao relento.

Muitas vezes a visão só é possível do ar, quando nosso avião decola, permitindo que, de relance, vejamos as aeronaves abandonadas agrupadas nas regiões mais distantes do pátio, numa tentativa infantil de se esconder o atestado de uma política, que se não é deliberadamente destrutiva, é omissa na gestão do interesse comum; prejudicando tanto aos credores, quanto às companhias aéreas devedoras.

Não se questiona de quem é a culpa pelo naufrágio dessas empresas, se houve má condução dos negócios ou se foram vítimas de equívocos tarifários, cambiais ou fiscais. Enquanto se discute se houve ou não má gestão, as empresas deveriam ter continuado funcionando sob intervenção, ou poder-se-ia ter optado pela cessão de linhas e aeronaves, continuando a gerar receita e preservando o capital representado pelos aviões.

Optou-se entretanto pela paralização das atividades e pela entrega das aeronaves à depreciação acelerada. Milhões que poderiam abater os passivos das companhias estão se transformando em ferro-velho nos aeroportos, sob o olhar conivente da sociedade.

A constatação do fato extrapola a si mesma. Mostra o descaso escabroso com que são conduzidas as questões que envolvem os interesses nacionais.

Descaso inzoneiro e bananeiro, é o Brasil brasileiro.

Sunday, January 29, 2006

Por acaso

A Folha de São Paulo de hoje nos dá conta do lançamento, previsto para março, do livro The Accidental President of Brazil-A Memoir - Presidente do Brasil Por Acaso-Memórias, da autoria do ex-presidente FHC, obra leve e direcionada para o consumo externo.
No meio do artigo tomamos conhecimento da referências pouco elegantes com que FHC distingue seu antecessor na presidência, Jânio Quadros, a quem cita como tolo e irresponsável.
Explica-se a bronca de FHC. Na eleição para prefeito de São Paulo em 1985, a disputa polarizava-se entre FHC e Jânio. Nas vésperas da eleição, confiando nas pesquisas que lhe davam vitória e na conveniência do executivo municipal ser de seu partido, FHC posa para os jornais sentado à mesa do prefeito, antecipando a vitória que não viria.
Jânio é eleito e dá uma coletiva à imprensa. Perguntado qual seria seu primeiro ato como prefeito, Jânio responde, de imediato:

-Desinfetar a cadeira onde o Sr. Henrique Cardoso se sentou.

Passaram-se vinte anos, Jânio está morto, mas parece que o ressentimento permanece aceso em FHC.

Se você é assinante da Folha de São Paulo, clique aqui para ler o artigo.

O Caminhante III

Três horas da tarde numa quentíssima capital do nordeste brasileiro. O caminhante, com aquele jeito de remediado, está no ponto de ônibus, afinal caminhar é preciso, mas não a pé naquele calorão. Não dá para saber se poderia pagar um táxi. Com um visual casual-negligente, ocupava seu espaço na sombra do abrigo, vale-transporte na mão.

O dito vale-transporte dá direito à uma passagem nos ônibus comuns, frequentados pela plebe.

Para os encalorados que se dispõem a pagar mais 10 centavos, micro-ônibus com ar refrigerado aparecem
a intervalos mais espaçados que os demais.

O caminhante mete a mão no bolso para pegar os centavos complementares, quando, repentinamente, surge um pedinte, espécie abundante naquelas horas quentes.

Um mendigo feíssimo, agreste e desprovido de qualquer humildade: ao mundo cabe dar o que ele precisa. e ponto final.

O mendigo estende a mão, já com várias moedas, ao caminhante:

-Me dá um troco para inteirar a passagem!

O caminhante olha para a moeda de 10 centavos no topo da pequena pilha na mão do pedinte e não se faz de rogado. Pede; voz baixa, confidencial:

-Eu estava precisando de 10 centavos...-Posso? Pergunta, estendendo a mão em pinça.

O pedinte viu o mundo virado às avessas. Estavam pedindo a ele! Vacila por um, talvez dois segundos, mas o orgulho fala mais alto. Desconfiado, pega a moeda e a dá ao caminhante, que simpático ainda confirma:

-Posso pegar? Sabe como é, nesses onibusinhos a gente tem que dar dez centavos a mais.

Nisso, o Mercedinho com ar-refrigerado encosta no ponto. O caminhante embarca feliz, passagem paga e complementada.

A porta se fecha e o motor ronca.

O pedinte fica olhando o ônibus se afastar no asfalto quente, rumo à praia. A dúvida se desvanece. Seu orgulho estava satisfeito.
Ele havia dado uma esmola.

Saturday, January 28, 2006

Sexta-Feira no Inferno

Pedro morreu e foi parar no inferno!
Em clima de desespero, ele teve o primeiro contato com o Diabo:
Diabo: Porque você está tão triste, cara?
Pedro: O que você quer? Estou no inferno!
Diabo: O inferno não é tão mau assim. Na verdade, temos um bocado de
divertimento por aqui. Você bebe?
Pedro: Claro, eu adoro beber!
Diabo: Bem, então você vai adorar as segundas-feiras. Tudo o que temos que
fazer nelas é beber. Bebemos até cair e mais um pouquinho!
Pedro: Uau, isso parece legal!
Diabo: Você fuma?
Pedro: O cara, podes crer...
Diabo: Então você vai adorar as terças-feiras. Pegamos os melhores cigarros
do mundo e lotamos nossos pulmões de fumaça. Se você tiver câncer, tudo
bem.... você já está morto mesmo...
Pedro: Ótimo!
Diabo: Imagino que você goste de jogar.
Pedro: Sim, de fato adoro.
Diabo: Bom, porque as quartas-feiras são dedicadas ao jogo: pôquer,
blackjack, corridas de cavalos e tudo o mais que você quiser...
Pedro: Mas que legal cara! Estou comecando a adorar o inferno.
Diabo: Você curte drogas?
Pedro: Sim, adoro! Mas você não quer dizer....
Diabo: É isso ai! As quintas-feiras são dias de drogas! Fuma-se pedronas
de crack ou um baseado do tamanho de um submarino! Você pode usar tudo
que quiser. Se você tiver uma overdose, tudo bem. Você já está morto
mesmo...
Pedro: Oba!!! Eu nunca havia imaginado que o inferno fosse um lugar tão
legal!
Diabo: Você é viado?
Pedro: Qual é cara? Claro que não!
Diabo: Oooooh!!! Você vai odiar as sextas-feiras...